Para Sr. Willian e Juvenal,
O que vale mais, força dos jovens ou a experiência dos mais velhos?
Esta é uma pergunta persistente em nosso esporte. Vemos atletas jovens ganhando provas, mas vemos também atletas mais velhos ganhando provas. Tanto no atletismo, na natação, no ciclismo e no triathlon. Temos exemplos como:
Haile Gebrselassie 37, recordista da maratona, e Usain Bolt 22 recordista dos 100m e 200m.
Michael Phelps 23, e Dara Torres 44
Lance Armstrong 37 e Alberto Contador 26
Reinaldo Colucci 24 e Oscar Galindez 37
Todos bons exemplos que não podemos deixar de citar.
Quem nunca tomou uma sova de Luis Renato Topan, Joachim Doeding, Marcelo Butenas, ou Claudemir Cassamasso, seja nas provas de Olímpico, ou de Meio Ironman?
Às vezes, em uma competição, você com seus vinte anos, no auge de sua virilidade, todo confiante em sua forca de garoto, se mostra arrogante como se fosse Alexandre o Grande . . . começa a competição nadando para 1′10” a cada 100m, sai da água todo pomposo, faz a transição para o ciclismo e continua se achando um leão, e começa a 40 por hora de média. Do começo até a metade tudo bem. Da metade para o final começa o desespero. As dores aparecem, o ritmo cai, e aos poucos você começa a perder terreno para os mais experientes. Da metade da corrida, até a chegada você é ultrapassado pelos tiozões da categoria dos 40 mais. Com quem nunca aconteceu isso?
Mas, teoricamente, quem deveria vencer? Não sei, sinceramente não sei. Força não é nada sem controle. Do que adianta toda a força, sem uma cadência controlada? Os mais velhos podem não ter a mesma força, mas eles sabem dosar a energia muito melhor do que os mais jovens. É claro…. eles já foram novatos, e erraram para aprender também.
E disso surge a idéia: mesclar um pouco da força jovem com a experiência dos mais velhos.
Alguns caça talentos do esporte ficam muito presos à idade dos “novos” atletas. A idade, nos esportes como a natação, o ciclismo, a corrida, realmente são importantes, pois é preciso se dedicar e treinar desde cedo para ficar bom. O único problema que sempre vejo, é que a garotada muito nova acaba sendo “forçada” a fazer o esporte. Forçada principalmente pelos pais, pelos professores ou pelos técnicos do respectivo esporte.
Em muitos casos essa garotada não quer se dedicar ao máximo àquela atividade, e acabamos vendo jovens com futuros promissores desistirem de se dedicar para serem “normais” e cair na noitada, baladas, namorar, e comer comidas que antes não podiam comer. Conheço várias pessoas que poderiam ser super atletas e hoje são sedentários, levando uma vida normal, mas que no passado eram considerados futuros atletas olímpicos.
Minha observação é a seguinte – vou dar meu exemplo: Tenho 29 anos, uma idade considerada avançada para os Caça Talentos, certo? OK.
Mas a grande diferença entre o Ciro que tem 29 anos, para um jovem de 15 anos que está começando no esporte agora, é que eu tenho maturidade suficiente para decidir que eu quero treinar. Ninguém precisa falar para eu acordar cedo, ou comer certo, ou me abdicar de certas coisas, pois eu quero fazer isso.
Em um esporte como o Triathlon, eu com 29 anos, acabo vencendo dos novatos de 15 a 20 anos, não por que sou melhor que eles, mas sim por que eu quero acordar cada vez mais cedo, comer cada vez melhor e treinar cada vez mais.
É claro que a moçada de 15 a 20 anos, se dedicar como eu me dedico, vai vencer competições, mas é difícil encontrar algum jovem que queira muito fazer isso. Portanto, senhores técnicos, seria interessante manter os dois tipos de atletas: os jovens que são a nova geração, e os mais velhos dedicados que poderão surpreender.
Nunca menospreze os mais velhos, aprenda com eles, segue o que eles tem para lhe passar de bom. Se não pode com eles, junte se a eles.
Lembrando sempre da frase do mestre chinês:
“Bons guerreiros atraem o inimigo a si.”
